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Dia 2 de novembro dia dos finados: dia da dúvida e da certeza


Dois de novembro, dia de recordar aqueles que concluíram sua “peregrinação” por este mundo. Propositalmente, essa celebração acontece logo após a celebração litúrgica da Solenidade de Todos os Santos, revelando que o destino de todos nós, seres finitos e mortais, é a santidade. Por vezes e teimosamente, uma dúvida nos invade: para onde vamos depois da morte?
Será que tudo acaba no cemitério? O insigne pregador, Pe. Antônio Vieira, num dos seus sermões, asseverou: “No nascimento, somos filhos de nossos pais; na ressurreição, seremos filhos de nossas obras” (Pe. Vieira).
Capela das Velas
Foto: Thiago Leon

“Finados” é dia de evocarmos pessoas/símbolos/imagens remotas, ou seja, soprarmos as brasas da memória para revivermos qual mito de fênix, lembranças que não se apagam. É importante destacar que a celebração de “Finados” não é o dia dos mortos, mas dia de saborearmos a Saudade. Nós sentimos saudades. Será comum neste dia vermos cemitérios lotados de gente, túmulos limpos, floridos e iluminados. A poetiza mineira, Adélia Prado, com razão, escreveu: “Aquilo que a memória ama permanece eterno”. Pois bem, "a saudade é o bolso onde a alma guarda aquilo que ela provou e aprovou. (...) A saudade é o rosto da eternidade refletido no rio do tempo" (Rubem Alves). Por isso, o que importa é viver intensamente; que ao partir deste mundo, possamos deixar saudades àqueles/as que continuam firmes “combatendo o bom combate” (cf. 2Tm 4,7).
 
A saudade é o rosto da eternidade refletido no rio do tempo" (Rubem Alves).
“Finados” também é tempo de silêncio e de oração. Que sentido estou dando à minha vida? Ou melhor ainda: o que está dando sentido à minha vida, hoje? É um dia que muitas lágrimas encharcam a terra... Trata-se de um dia diferente, cuja atmosfera é um tanto fúnebre e doída porque nos remete à indigesta verdade e ao inexorável fato: um dia vou/vamos morrer também! Diz um conhecido ditado latino: Hodie mihi, cras tibi (“hoje toca a mim, amanhã a ti”). Não há escapatória! É a única certeza absoluta que temos.
Ao morremos, todas as máscaras caem por terra. Num dos seus escritos, Frei Betto afirmou: “A morte nos reduz ao verdadeiro eu, sem adornos de condição social, sobrenomecracia, títulos, propriedades, importância ou conta bancária. É a ruptura de todos os vínculos que nos prendem ao acidental”. “Finados” é, portanto, um dia sugestivo não só para orar pelos nossos entes queridos que já partiram e, agora, vivem em Deus e com Deus; mas ocasião para pensarmos no nosso fim; afinal, “ninguém entrará no céu se primeiro não começar a construí-lo aqui na terra” (L. Boff).
O mesmo teólogo, acima citado, nos diz que “a vida não é nem temporal, nem material, nem espiritual. A vida é simplesmente eterna. Ela se aninha em nós e, passado certo lapso temporal, ela segue seu curso pela eternidade afora. Nós não acabamos na morte. Transformamo-nos pela morte, pois ela representa a porta de ingresso ao mundo que não conhece a morte, onde não há o tempo, mas só a eternidade”. Ideia palpitante e feliz que enche o nosso coração de ânimo e de esperança.
Para muitos, “Finados” é também o dia da dúvida atroz, para outros, dia da Certeza de que um dia se contemplará a Luz que não conhece ocaso. Para quem tem fé, sabe que a última palavra sobre a vida se chama Ressurreição: "Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam" (cf. 1Cor 2,9). Façamos por merecê-lo.

Por Vinícius Paula Figueira
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